CONTATOS

Graças a Deus a minha felicidade não depende da tristeza alheia. Não preciso destruir a vida de ninguém para construir a minha.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Versos de um campeiro com saudade

Às vezes to me lembrando
Do tinir daquela inchada
Do rangir do seu cabo
Naquelas manhãs de geada
Quando o galo cantava
E o papai se levantava
Batia aqueles tição
Naquele fogão à lenha
Batia o trinque da porta
Só se ouvia a passarada
Cantando no amanhecer
A torneira derramava
Aquela água preciosa
Vindo de um olho d’água
A poucos metros de casa
Enchia aquela cambona
Enquanto a erva era virada
Depois de uns quatro ou cinco
Chimarrão que ele tomava
Mamãe se alevantava
Lavava o rosto na pia
Enquanto papai repontava
As vacas pra tirar leite
A ternerada berrava
Louca por um apojo
A cachorrada aquava
Nos porcos lá no terreiro
Assim eu me acordava
Quando morava lá fora
Nem conhecia a cidade
O caos que é viver trancado
Com medo desta violência
Que nos afronta e apavora
Me dá vontade de erguer
Meus pelegos nesse trem
Pega uns palmo de charque
E umas duas cevaduras
Meu laço véio trançado
E me mandar pro rincão
Onde fui acostumado
A lidar com a criação
Cuidar daqueles matungos
Camperear pelas canhadas
Chegar naquelas taperas
Melar aquelas abelhas
Laçar aquelas ovelhas
Eira boi, eira boiada
A realidade é outra
Paro pra não chora
Que saudade que me dá!

* Leonardo Rosado

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